Revista Eptic

ARevista Eptic, ISSN 1518-2487, classificada como QUALIS B1, na área de Ciências Sociais Aplicadas I,  é produzida Observatório de Economia e Comunicação (OBSCOM) e  vinculada aos programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM), Economia (NUPEC), da Universidade Federal de Sergipe.

Criada em 1999, a partir de um projeto de organização de uma rede de pesquisadores a partir dos grupos de trabalho de Economia Política da Comunicação da ALAIC (Asociación Latino-americana de Investigadores de la Comunicación) e da INTERCOM (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação).

Este periódico eletrônico quadrimestral, é a única publicação do país a tratar especificamente da Economia Política da Comunicação e da Cultura, tendo forte impacto na sua área específica de atual, tanto em nível nacional quanto internacional.

Divergindo do pensamento único, na multiplicidade organizacional, o grupo de pesquisadores da Rede Eptic foca seus estudos em Economia Política da Comunicação, em tópicos como o processo de oligopolização da mídia, as políticas de comunicação, as inovações na área informacional, a funcionalidade da cultura no capitalismo e os lugares da democracia e da diversidade nessas dinâmicas, sendo protagonista na organização dos estudos críticos em Economia Política da Comunicação no Brasil, na América Latina e na Europa, onde atua em parceria com a Ulepicc (Unión Latina de Economía Politica de la Información, la Comunicación y la Cultura), entidade em cuja fundação teve papel protagonista


Imagem para capa da revista

REVISTA EPTIC CHAMADA DE ARTIGOS PARA O DOSSIÊ TEMÁTICO “Hipótese substancial, valor e produção simbólica: uma “arqueologia” da Economia Política da Comunicação

 

Prazo para submissão dos artigos: 13 de fevereiro de 2017

Data de publicação da revista: maio de 2017

Coordenador:  Prof. Dr Alain Herscovici  -Universidade Federal do Espirito Santo

 

Maiores informações sobre  as normas de submissão e diretrizes aos autores podem ser obtidas no endereço: http://www.seer.ufs.br/index.php/eptic/about/submissions#authorGuidelines

 

OBS: A revista Eptic recebe em fluxo contínuo trabalhos para avaliação para as seções Artigos e Ensaios (titulação mínima: mestres) e Investigação e Resenhas (titulação mínima: mestrandos

 

Ementa:

I) O tema do valor sempre foi presente na Ciência Econômica: desde sua fundação, com a escola fisiocrática, no século XVIII, até hoje, esta problemática é presente, implícita ou explicitamente, na maior parte dos debates teóricos; de Adam Smith à Ricardo, Marx e Sraffa, no que concerne à Escola Clássica e seus desenvolvimentos modernos, de Jevons, Menger e Walras até a teoria das expectativas racionais, no que diz respeito à escola neoclássica. Além de suas diferenças, essas diferentes escolas, incluindo o marxismo, adotam a hipótese substancial: esta hipótese parte do princípio segundo o qual os bens econômicos, ou as mercadorias, possuem um valor intrínseco.

A hipótese substancial corresponde a um duplo processo de reificação e de universalização: reificação pelo fato das trocas se limitarem à troca de bens materiais (coisificação) negando a dimensão social da troca (Dumont, 1985, p. 128) – universalização pelo fato dessas características dos bens ou das mercadorias não dependerem de determinadas especificidades sociais e históricas.

II) Vários abordagens permitem refutar a hipótese substancial: a análise ligada à Antroplogia Econômica moderna (por exemplo Polanyi,  1983) a refuta,  mostrando que, nas sociedades não capitalistas, as relações econômicas são embutidas (embedded) no sistema de relações sociais.

Orléan (2011), no âmbito de uma análise econômica heterodoxa diretamente ligada a Keynes, a Akerlof,  Grossman e Stiglitz, demonstra que o valor econômico é o produto de relações sociais historicamente determinadas.

III) Encontramos a mesma oposição na Sociologia da Cultura. A Escola de Frankfurt, a partir dos trabalhos de Adorno e Benjamin, raciocina a partir da hipótese segundo a qual a obra de arte possui um valor intrínseco, ou seja, universal: é apenas a partir desta hipótese que é possível afirmar que a indústria cultural em geral constitui uma forma “degenerada” de Cultura, em relação à perda da aura (Benjamin), e que o jazz não é uma gênero musical à part entière (Adorno).

Bourdieu, ao contrário, ressalta a importância dos determinismos sociais nas modalidades de constituição do campo cultural e das mediações que esses determinismos permitem construir, o que ressalta a dimensão histórica  do valor cultural; o princípio do Habitus (Bourdieu, 1979) ilustra perfeitamente este mecanismo.

IV)  Outro campo de questionamento é dado pela  Economia Política da Cultura. Para estes economistas, já nos anos setenta, o setor das produções culturais apresentava particularidades econômicas relativas à determinação de seu valor, às estruturas dos mercados e às modalidades de valorização econômica que o distanciava da hipótese substancial: (a) não existe relação entre os custos de produção e as receitas ligadas à valorização econômica desses bens e serviços (b) na ausência de um preço regulador, esses mercados são altamente especulativos (c) consequentemente, esta valorização é particularmente aleatória e (d) não é possível determinar “objetivamente” um valor fundamental para esses bens.

V) Se, inicialmente, tal questionamento pôde ficar restrito ao setor da Cultura, as mudanças estruturais do capitalismo e o desenvolvimento, a partir dos anos 90, de todas as formas de capital imaterial (Direitos de Propriedade Intelectual, patentes, marcas etc) e das redes sociais implicaram a extensão dessas lógicas à maior parte da Economia;  assim, os problemas teóricos e empíricos relativos à Economia da Cultura se relacionam atualmente com a maior parte da produção social.

VI) A generalização dos problemas teóricos e empíricos anteriormente restritos à Economia da Cultura geram novas problemáticas epistemológicas: nenhuma matriz teórica “tradicional”  na Ciência Econômica tem atualmente condições de resolver esses novos problemas próprios às diferentes formas de capital imaterial desenvolvidas no capitalismo pós-industrial, nem a matriz clássica ligada ao valor trabalho, nem a neoclássica que utiliza a teoria subjetiva do valor utilidade.

Do ponto de vista da construção de uma “arqueologia do conhecimento”, no sentido empregado por Foulcault (1966), a Economia da Cultura foi pioneira em relação à Ciência Econômica.

VII) O presente dossiê almeja tratar deste tipo de problemática. Esta discussão, diretamente ligada à Epistemologia da Economia Política, é hoje uma questão de primeira importância: ela deveria rever, e eventualmente modificar, certas hipóteses que constituem seu núcleo duro, para se adequar às novas realidades que caracterizam o capitalismo pós-industrial, e contribuir assim para o fortalecimento do Programa de Pesquisa Científica da Economia Política da Comunicação.  

Referências bibliográficas

Bourdieu, Pierre, 1979, La Distinction. Critique sociale du jugement. Les éditions de minuit, Paris.

Dumont, Louis, 1985,  Homo aequalis. Genèse et épanouissement de l'idéologie économique, NRF, Editions Gallimard, Paris.

Foucault Michel,  1966, Les mots et les choses. Une archéologie des sciences humaines, Gallimard, Paris.

Orléan André,  2011. L´empire de la valeur. Refonder l´Économie, Paris, Éditions du Seuil.

Polanyi, Karl, 1983,  La Grande Transformation. Aux origines politiques et économiques de notre temps, Editions Gallimard, Paris.

 

Maiores informações sobre  as normas de submissão e diretrizes aos autores podem ser obtidas no endereço: http://www.seer.ufs.br/index.php/eptic/about/submissions#authorGuidelines

OBS: A revista Eptic recebe em fluxo contínuo trabalhos para avaliação para as seções Artigos e Ensaios (titulação mínima: mestres) e Investigação e Resenhas (titulação mínima: mestrandos