Revista Eptic

ARevista Eptic, ISSN 1518-2487, classificada como QUALIS B1, na área de Ciências Sociais Aplicadas I,  é produzida Observatório de Economia e Comunicação (OBSCOM) e  vinculada aos programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM), Economia (NUPEC), da Universidade Federal de Sergipe.

Criada em 1999, a partir de um projeto de organização de uma rede de pesquisadores a partir dos grupos de trabalho de Economia Política da Comunicação da ALAIC (Asociación Latino-americana de Investigadores de la Comunicación) e da INTERCOM (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação).

Este periódico eletrônico quadrimestral, é a única publicação do país a tratar especificamente da Economia Política da Comunicação e da Cultura, tendo forte impacto na sua área específica de atual, tanto em nível nacional quanto internacional.

Divergindo do pensamento único, na multiplicidade organizacional, o grupo de pesquisadores da Rede Eptic foca seus estudos em Economia Política da Comunicação, em tópicos como o processo de oligopolização da mídia, as políticas de comunicação, as inovações na área informacional, a funcionalidade da cultura no capitalismo e os lugares da democracia e da diversidade nessas dinâmicas, sendo protagonista na organização dos estudos críticos em Economia Política da Comunicação no Brasil, na América Latina e na Europa, onde atua em parceria com a Ulepicc (Unión Latina de Economía Politica de la Información, la Comunicación y la Cultura), entidade em cuja fundação teve papel protagonista


Imagem para capa da revista

Notícias

 

Chamada de artigos para o Dossiê Temático: Intelectuais e esferas públicas: entre o poder e a mídia

 

Dossiê Temático: Intelectuais e esferas públicas: entre o poder e a mídia

Prazo para submissão dos artigos: 30 de setembro de 2016

Data de publicação da revista: janeiro de 2017

Ementa: De acordo com vários pesquisadores, sobretudo no campo da sociologia e da história dos intelectuais, desde o Affaire Dreyfus o grupo de indivíduos geralmente denominado de “intelectuais” teria adquirido certa autonomia em relação ao meio político. Esse processo teria, de certa forma, contribuído para a emergência de esferas públicas autônomas, particularmente as esferas acadêmica, cultural e midiática.

Assim, os intelectuais da esfera acadêmica desfrutariam da liberdade acadêmica algo que se materializa, por exemplo, na possibilidade de conceber programas de ensino e propor projetos de pesquisa nos quais são os responsáveis por definir os próprios critérios de avaliação (avaliação pelos pares). Os intelectuais que se ocupam da produção cultural, por sua vez, teriam direito à liberdade de expressão e seriam suscetíveis a terem acesso a diferentes programas de financiamento público. A situação dos intelectuais midiáticos seria um pouco diferente, na medida em que o seu acesso é amplamente condicionado pelos critérios impostos pelos meios de comunicação (Bourdieu, 1984; 1997; Rieffel, 1992; 1993; Pereira, 2008; Aubin, 2004).

Se é verdade que tais conceitos – autonomia/autonomização – são fundamentais para a constituição da concepção moderna de intelectual e de seu papel na intervenção nas esferas públicas, até que ponto as transformações nas esferas produtivas e sociais observadas desde o final dos anos 1960 teriam alterado as condições de intervenção e de engajamento dos intelectuais e a própria constituição das diferentes esferas públicas?

Como, portanto, pensar o intelectual – em suas diversas modalidades – nesse novo cenário? Qual o papel dos intelectuais e da crítica sistêmica num mundo onde o “intelecto geral” tornou-se a principal força produtiva? Não estariam, por exemplo, o trabalho científico, ou o trabalho docente, sendo submetidos a novos constrangimentos e a formas de organização e controle ditadas pela atual expansão da lógica financeira do capital, que colocam em questão inclusive as formas anteriores de participação dos intelectuais na construção da hegemonia? E qual a responsabilidade dos intelectuais nessa nova (des)ordem mundial em construção? E de que forma os intelectuais participam – contestando, assumindo ou reforçando certos discursos – desse cenário?

Para responde a essas questões, os interessados em participar deste dossiê devem propor artigos a partir dos seguintes eixos de análise:

a.  História e sociologia dos intelectuais: a constituição do intelectual/grupos intelectuais nos diferentes contextos nacionais, os processos de construção e de negociação estatutária. As suas transformações e dos intelectuais ao longo da história;

b. Processos de trabalho nas diferentes indústrias culturais e da comunicação: os sistemas de controle e exploração do trabalho intelectual, a economia política da comunicação e da cultura e instituições intelectuais.

c. Análise das intervenções intelectuais nas esferas públicas: o intelectual “em ação”, as modalidades de engajamento público nas esferas midiática, cultural, universitária. Os posicionamentos dos intelectuais nos debates públicos e as estratégias discursivas adotadas. As transformações do debate intelectual (e das esferas públicas) nos diferentes contextos nacionais.

Coordenadores do Dossiê  Temático: Prof. Fabio Pereira, Faculdade de Comunicação, Universidade de Brasília e Profa. France Aubin, Lettres et communication sociale, Université du Québec à Trois-Rivières

Maiores informações sobre  as normas de submissão e diretrizes aos autores podem ser obtidas no endereço: http://www.seer.ufs.br/index.php/eptic/about/submissions#authorGuidelines

 

OBS: A revista Eptic recebe em fluxo contínuo trabalhos para avaliação para as seções Artigos e Ensaios (titulação mínima: mestres) e Investigação e Resenhas (titulação mínima: mestrandos)

 

Referências

AUBIN, F. La nouvelle résistance. Les stratégies de publicisation déployées par des intellectuels critiques de la globalisation (1994-2005). Thèse (Doctorat en Communication) Université de Québec à Montréal, Montréal, 2006.

AUBIN, F. Espaço público e intelectuais. Comunicação e Espaço Público (Universidade de Brasília), Ano X, nos 1-2. p. 42- 49, 2007.

BOURDIEU, P. Homo academicus. Paris : Éditions de Minuit, 1984.

BOURDIEU, P. Sur la télévision. Paris : Liber-Raisons d'agir, 1996.

BOURDIEU, P. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 1997.

PEREIRA, F. H. . Jornalistas-intelectuais no Brasil. São Paulo: Summus, 2011

RIEFFEL, R. Journalistes et intellectuels : une nouvelle configuration culturelle ?. Réseaux, 51, p. 11-24, 1992.

RIEFFEL, R. La Tribu des clercs. Les intellectuels sous la Ve République 1958-1990. Paris : Calmann-Lévy, 1993.

 
Publicado: 2016-08-01 Mais...
 
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