CONTEÚDO GERADO PELO USUÁRIO, “TRABALHO LIVRE” E AS INDÚSTRIAS CULTURAIS

  • David Hesmondhalgh – Universidade de Leeds (Reino Unido) Universidade de Leeds (Reino Unido)
Palavras-chave: comunicação, cultura, indústrias da cultura, trabalho criativo, trabalho livre.

Resumo

O conteúdo gerado pelo usuário e as indústrias culturais envolvem trabalho não remunerado (“trabalho livre”) por parte dos participantes. Este tem sido um tema dominante da recente análise crítica da mídia digital, desenvolvido em conjunto com outros estudos críticos do trabalho nas indústrias da cultura e de TI, que se concentram mais no trabalho profissional e semiprofissional. Críticas ao “trabalho livre” forneceram algumas intervenções estimulantes e necessárias contra celebrações complacentes do trabalho na indústria cultural, e das relações entre produção e consumo na era digital, mas algumas questões conceituais importantes em relação ao capitalismo, à exploração, ao poder e à liberdade permanecem pouco estudadas. Além disso, essas críticas potencialmente servem (involuntariamente) para marginalizar a importância política das condições do trabalho cultural profissional. Depois de localizar as críticas ao “trabalho livre” no contexto do pensamento marxista autonomista, o artigo a) argumenta que o frequente emparelhamento do termo “trabalho livre” com o conceito de exploração não é convincente e é até bastante incoerente, pelo menos, como até agora desenvolvido pelos analistas mais citados; b) explora quais demandas políticas podem e não podem coerentemente ser derivadas de perspectivas críticas do “trabalho livre” (e argumenta que o sistema de estágio é de longe o exemplo mais significativo do “trabalho livre” nas indústrias culturais contemporâneas); c) avalia uma tentativa anterior crítica de lidar com questões de trabalho não remunerado, envolvendo o conceito de "mercadoria audiência”, e julga que isto leva a uma visão muito mais pessimista das populações do que a de trabalho não pago, mas compartilha a falta de compromisso com a experiência vivida e a política pragmática; d) defende a continuação da importância política das condições da produção cultural profissional, contra a marginalização implícita da importância, em algumas versões, dos debates sobre o “trabalho livre”, e resume as conclusões de uma pesquisa recente sobre o assunto.

 

Biografia do Autor

David Hesmondhalgh – Universidade de Leeds (Reino Unido), Universidade de Leeds (Reino Unido)
Chefe do Instituto de Estudos das Comunicações na Universidade de Leeds. Autor de The Cultural Industries (três edições, 2002, 2007 e 2012); Creative Labour: Media Work in Three Cultural Industries (2011), em co-autoria com Sarah Baker.
Publicado
2015-02-05
Seção
DOSSIÊ TRABALHO COMUNICACIONAL: ASPECTOS DE COMUNICAÇÃO E TRABALHO COMO ATIVIDADE E COMO MERCADORIA